Era uma vez a propaganda...

Ela tentava entender o que tinha acontecido com aqueles que outrora a amavam. Agora diziam que estava morrendo, ainda que no fundo só estivesse na meia idade.

Mas como toda cinquentona que enche o peito e vai à luta, a propaganda decidiu que reconquistaria o interesse das pessoas.

No campo da forma a competição era cruel. As novas mídias estavam com tudo em cima e possuiam uma flexibilidade que a antiga geração não conseguia alcançar.

A única saída era lutar em outro campo, o do conteúdo. Afinal, no fundo, era isso que realmente importava.

Então a propaganda percebeu que as pessoas acompanhavam uma novela por meses sem ganhar nada em troca. Que pagavam para ver um filme. Que mudavam suas vidas após chegar ao final de um livro.

Desejosa desse poder, ela teve uma idéia. As empresas continuariam sendo a inspiração do seu guarda roupa, mas a partir de agora ela se arrumaria pensando nas pessoas.

Foi assim que a propaganda se transformou em história.


Stories We Like é o blog da STORYTELLERS, escritório de comunicação especializado em criar universos ficcionais para transmitir mensagens corporativas. Ou seja: traduzimos o que empresas precisam dizer em coisas que as pessoas queiram ouvir. Mais sobre a gente aqui. Bem-vindo ao nosso mundo.

Terça-feira, 26 de Agosto de 2008

Escritores e histórias - Inspiração

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Escritor com cartão? Algo como “Luis Fernando Verissimo – Escritor”. Acho difícil. Nunca vi, pelo menos. São em sua maioria desprovidos de um espírito comercial de modo que muitos enfrentaram e ainda enfrentam dificuldades financeiras; e até por isso consideram vocação o ato de escrever histórias. Tanto que atualmente é uma das poucas profissões não regulamentadas e são pouquíssimas escolas superiores que ensinam o ofício.

Assim tornam-se os escritores pessoas incomuns e interessantes. Diferente da maioria, os grandes autores - e as mensagens contidas em suas obras - podem atingir imortalidade. Além disso, há o fato de que se trata de um dos poucos ofícios que é ao mesmo tempo artístico e intelectual. E por tudo isso há uma aura de status que os cerca.

As notas de Dostoiévski para o capítulo 5 da obra Os Irmãos Karamazov ilustra o aspecto solitário do ofício, que pouco mudou nos últimos séculos: continua artesanal, mesmo com ajuda do computador. O que os escritores faziam há 300 anos continua sendo o que fazem hoje: escrevem a partir de suas inspirações. Como algo que parte de dentro pra fora, e que vem de uma fonte desconhecida e incontrolável.

A maioria acredita na inspiração, a exemplo do romancista turco Orhan Pamuk que fala do “Anjo da Inspiração” que muito visita alguns e pouco outros. A minoria, como o caso de Carlos Heitor Cony – que chegou a demorar 23 anos entre um romance e outro – diz que não conta com a inspiração na hora de escrever.

Mas o fato é que há uma máxima entre os escritores: “o escritor não escolhe seus temas: é escolhido por eles”. São raríssimas as exceções como Monteiro Lobato. E aí, a partir desse tema que os escolheu, começa o trabalho de construir todo um universo ficcional. Paulo Coelho fala que é como pegar um barco e explorar uma “Ilha”, Pamuk diz que é como compor “mundos”, Mario Vargas Llosa utiliza o termo “realidades fictícias”.

Ernest Hemingway - que se refere ao universo ficcional por meio do termo “país” - descreve o processo mais ou menos assim: “você precisa enxergar o país em sua totalidade o tempo inteiro, não bastando ter uma sensação romântica acerca dele. Mas tem dias em que o processo fluiu tão bem que era possível andar nele por meio de suas árvores, atravessar uma clareira, subir a montanha e, lá do topo, avistar as colinas após o lago”. Carol Bensimon também fala sobre isso em um de seus posts.

Alguns universos ficcionais se tornam tão ricos e complexos que personagens de uma história aparecem em outra, tornando tudo ainda mais interessante. Contudo, criar esses universos para, a partir dele, recortar uma história é um trabalho árduo e incessante: cerca de uma página publicável por dia. Manter o fôlego e a disciplina para poder criar tal nível de complexidade e detalhamento exige uma dedicação exclusiva e excludente. Compor histórias ocupa a existência e extrapola as horas que alguém se dedica à escrita, impregnando tudo mais que se faz.

Isso faz dos escritores verdadeiros caçadores de inspiração, sempre observando tudo ao seu redor e refletindo sobre tudo o que se passa dentro deles. Afinal, é desse exercício que encontram a matéria-prima para escreverem suas obras. Mario Vargas Llosa constata que a raiz de todas as histórias está na experiência de quem as inventa, de modo que toda ficção parte de uma semente visceral de quem a forjou.

Com isso, o escritor acaba tendo o importante papel de falar de coisas que as pessoas sabem, mas que só se dão conta a partir do momento em que se identificam com situações ou personagens e se projetam nas histórias. Ou como resumiu Pamuk: “o escritor fala de coisas que as pessoas sabem, mas não sabem que sabem”.

E é assim que os escritores partem de suas inspirações para inspirar os outros.

OBS: obrigado pela dica da dupla Nana e Frei que corrigiram um dos erros mais indesculpáveis que cometi nos últimos tempos: é verdade, Verissimo não tem acento.

1 comentários:

Bruno Scartozzoni disse...

Tá inspirado hein?